Thursday, March 15, 2012

Os loucos

Os loucos que eu atraio
São mais loucos do que eu.
Porque nem sabem
Quem são, não sabem
Da sua razão,
E não querem saber.
Tanto me tenho
Dito, tanto me tenho
Olhado, não sei se há
Um porquê: de que vale
Ter juízo.
Repugnam-me ao segundo,
Restrinjo o meu pequeno
Mundo, mas de mais loucos,
Não preciso.

NF

15-03-2012

Saturday, February 25, 2012

A Árvore da Vida

A árvore despede-se dos seus frutos,
Despede-se das suas folhas,
Despede-se do seu passado.
Quando os frutos caem ao chão
É o seu momento de perdão.

Não apodrecem frutos na árvore,
Não pode haver morte num ramo são.
Como a mente e pensamentos,
Se inerte, não os elimina,
Tudo destrói com a sua toxina.

Se com os frutos não forem as folhas,
A árvore vê-los-á na sua sombra
Lutando, em vão, por ficar.
É poupada do que tem de ser feito,
Tudo na natureza é perfeito.

O ciclo termina e recomeça.
Cobre-se os pensamentos de perdão,
Frutos e folhas dos nossos ramos.
Um dia, nada mais serão do que meros
Pedaços do caminho, no chão.

NF

25-02-2012

Thursday, August 18, 2011

Deus?

Deus sou eu,
És tu,
Somos nós.
Quando dançamos
Quando rimos,
Quando amamos,
Quando destruímos.
Deus é quem quer bem
E quem quem quer mal.
É quem corta o caminho,
É quem altera o destino.
Todos somos Deuses,
Por isso é divino.
Não há um Deus bom
Sem haver um Deus mau.
Os homens olham o firmamento,
Não conseguem olhar para si,
Para o Deus lá dentro.
Todos contra todos,
Muitos por alguns,
O meu pelo teu.

Thursday, June 24, 2010

Guerra

Haverá paz para uma guerra sem armas?
Sem território, sem troca de palavras.
Uma guerra por tudo e por nada.
Haverá paz para uma alma cansada?

Tuesday, May 11, 2010

A fé?

A fé de cada homem constrói-se. Não é, nem pode ser, generalizada ou instituída.

Tuesday, May 04, 2010

Tons

Revela-se um suave movimento
Quando ondulo nessa dança.
Em perfeita vibração com
A realidade, percebo ao que sabe
A temperança:
Um beliscar tímido com dedos
De criança,
É um nobre castigo
Que não sufoca de ansiedade.
Sigo passadas certas ao ritmo
Que emergem notas musicais.
Assim se rodopia pouco a pouco
Numa envolta coreografia
Que não é demais.
Afinam-se descobertas
De novos sinais,
E desfaz-se o ruído
Clamado por um louco.
Eclode um bombear da alma
Quando percebo a vivacidade
Nesse poder da harmonia,
Ou apenas pura inocência
Da liberdade.
Como uma flauta que sopra o tom
Da simplicidade,
Agora embrulho o meu suspiro
E termino em perfeita cadência.

NF

05-05-2010

Tuesday, April 27, 2010

A espera

Esperamos demais só um segundo
Mas sonhamos com a eternidade.
Não chega viver para sempre,
Mesmo retirando os seixos do rio
Em busca da profundidade.

Impomos espelhos ao sol
Desejando o farsante luar,
Podendo não haver mais brio
Nem um gracioso amanhecer
Quando quisermos olhar.

Muito, que foi demais,
Seguro em paz contra o peito.
Ajustam-se movimentos desfasados,
Deixando oscilar esse almejado
Engenho que cura a pontualidade,
A marcar o compasso perfeito.

NF

27-05-2010